quinta-feira, 19 de abril de 2012

ORIENTAÇÕES E HABILIDADES DO CONSELHEIRO TUTELAR

Habilidades:

Conselheiro Eficaz, no desempenho de suas atribuições legais, precisa superar o senso comum e o comodismo burocrático, ocupando os novos espaços de ação social com criatividade e perseverança. Para ser um conselheiro eficazdeve incorporar em suas ações o compromisso com o bom resultado. Lembre-se:


DESAFIOS DO CONSELHO TUTELAR
Ser mais que:
  • porta-voz de denúncias
  • testemunha de situações sociais críticas
  • funcionário de escritório.
  • Saber entender e resolver problemas.
  • Tornar-se uma referência comunitária segura e respeitada.
  • Ajudar a criar um movimento compartilhado de ações sociais eficazes.

Pais, mães, tios, irmãos. Crianças e adolescentes. Juízes, promotores, delegados, professores. Médicos, dirigentes de instituições particulares, padres. Prefeitos, secretários municipais, líderes comunitários. Assistentes sociais, psicólogos, vizinhos, parentes...

Esta é uma lista sem fim. O conselheiro tutelar, para desempenhar o seu trabalho, precisa relacionar-se com toda essa gente. Não é fácil. Não é impossível. É necessário.

Para facilitar o seu trabalho, o conselheiro tutelar deve estar sempre atento a isso e desenvolver habilidades imprescindíveis:

 DE RELACIONAMENTO COM AS PESSOAS.
 DE CONVIVÊNCIA COMUNITÁRIA.
 DE ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO SOCIAL.

O conselheiro tutelar deve ser um construtor, um organizador, um persuasor permanente, com ações que combatam os pequenos atos malfeitos, improvisados, impensados e de horizonte curto. E, principalmente, com um trabalho que incorpore genuinamente o alerta de D. Paulo Evaristo Arns: não adianta a luta intensa por novas estruturas organizacionais, sem a luta profunda por novos comportamentos .

O que fazer? Como agir para não permitir que o dia-a-dia do Conselho Tutelar naufrague na mesmice, no formalismo, na acomodação?
A utilização das capacidades e dos recursos gerenciais, destacados a seguir, pode ser um bom começo:

Capacidade de Escuta: Saber ouvir e compreender as necessidades, demandas e possibilidades daqueles que precisam dos serviços do Conselho Tutelar.

Não permitir que os preconceitos, o paternalismo ou a fácil padronização de atendimentos impeçam o correto entendimento de uma situação pessoal e social específica.

Cada caso é um caso. Cada pessoa é uma pessoa. E tem direito a um atendimento personalizado, de acordo com suas particularidades. .


Dicas
  • Definir horário para atendimento.
  • Atender em local reservado, garantindo a privacidade das pessoas.
  • Ouvir com serenidade e atenção a situação exposta.
  • Em caso de dúvida, procurar saber mais.
  • Fazer perguntas objetivas.
  • Registrar por escrito as informações importantes.
  • Orientar as pessoas com precisão. De preferência, por escrito.
  • Usar linguagem clara e orientações escritas.


Capacidade de Interlocução: Saber conversar com o outro, expor com clareza suas idéias e ouvir com atenção as idéias do outro.

O contato com os cidadãos e com as autoridades públicas e privadas que podem trazer soluções para suas demandas deve ser sereno, conduzido em linguagem respeitosa. É imprescindível o uso de argumentos racionais e informações precisas.

Não permitir a "dramatização" de situações para impressionar ou intimidar as pessoas. Conversar para entender, fazer entender e resolver.
Dicas
  • Organizar com antecedência a conversa: 

    O que se quer alcançar.
    Como conseguir.
    Com quem conversar.
    Como conversar / Quais argumentos utilizar.
  • Marcar com antecedência o horário para a conversa. Ser pontual, educado e objetivo.
  • Ilustrar os argumentos, sempre que possível, com dados numéricos ou depoimentos objetivos das pessoas diretamente envolvidas na situação em discussão.
  • Registrar por escrito os resultados da conversa.



Acesso a Informação: Saber colher e repassar informações confiáveis. É importante que o maior número de pessoas tenha acesso a informações úteis para a promoção e defesa dos direitos das crianças e adolescentes.

É um erro reter informações, bem como divulgá-las incorretas ou de procedência duvidosa (boatos), podendo induzir as pessoas a erros de juízo e de atuação diante dos fatos.

Incentivar a circulação de informações de qualidade. Combater a circulação de boatos, preconceitos, disse-que-disse.

Dicas
  • Buscar informações diretamente no lugar certo.
  • Confirmar a correção da informação.
  • Divulgar as informações de interesse coletivo.
  • Buscar meios criativos para divulgação das informações: jornais; boletins; murais; cartazes; programas de rádio; missas; serviços de alto-falantes; carros de som; reuniões.



Acesso aos Espaços de Decisão: 
Saber chegar às pessoas que tomam decisões: prefeitos, secretários, juízes, promotores, dirigentes de entidades sociais e serviços de utilidade pública.

Ir até uma autoridade pública, e buscar junto a ela soluções para um problema comunitário, é um direito inerente à condição de cidadão e de conselheiro.

Não permitir que esse tipo de contato seja intermediado por "padrinhos" ou "pistolões" e transforme-se em "favor".

Dicas
  • Solicitar antecipadamente uma audiência ou reunião.
  • Identificar-se como cidadão e conselheiro tutelar.
  • Antecipar o motivo da audiência ou reunião.
  • Comparecer ao compromisso na hora marcada.
  • Comparecer ao compromisso, sempre que possível, acompanhado de outro conselheiro. Isso evita incidentes e entendimento distorcido ou inadequado do que foi tratado.
  • Registrar por escrito os resultados da audiência/reunião



Capacidade de Negociação: Saber quando ceder ou não ceder frente a determinadas posturas ou argumentos das pessoas que tomam decisões, sem que isso signifique deixar de lado o objetivo de uma reunião ou adiar indefinidamente a solução de uma demanda comunitária.

Numa negociação é fundamental que as partes se respeitem e não se deixem levar por questões paralelas que desviem a atenção do ponto principal ou despertem reações emocionais e ressentimentos.


Dicas
  • Utilizar plenamente sua capacidade de interlocução.
  • Ter claro o objetivo central da negociação.
  • Identificar, com antecedência, os caminhos possíveis para alcançar seu objetivo central, a curto, médio e longo prazos.
  • Prever os argumentos do seu interlocutor e preparar-se para discuti-los.
  • Ouvir os argumentos do seu interlocutor e apresentar os seus contra-argumentos, com serenidade e objetividade.
  • Evitar atritos, provocações, insinuações e conflitos insuperáveis.
  • Usar de bom senso, sempre.



Capacidade de Articulação: Saber agregar pessoas, grupos, movimentos, entidades e personalidades importantes no trabalho de promoção e defesa dos direitos das crianças e adolescentes, que é coletivo, comunitário, obrigação de todos.

É fundamental agir com lucidez e pragmatismo, buscando fazer articulações, alianças e parcerias (transparentes e éticas) com todos que estejam dispostos a contribuir e somar esforços.


Dicas
  • Identificar e conhecer pessoas, grupos, movimentos comunitários e personalidades da sua comunidade, do seu município.
  • Apresentar-lhes os trabalhos e atribuições do Conselho de Direitos.
  • Apresentar-lhes formas viáveis de apoio e participação.
  • Negociar para resolver, para agregar.

Administração de Tempo: Saber administrar eficientemente o tempo permitirá ao conselheiro um equilíbrio melhor entre a vida profissional e pessoal, melhorando a produtividade e diminuindo o estresse.

O tempo é um bem precioso – talvez o mais precioso do ser humano – dado o seu caráter de recurso não renovável. Uma oportunidade perdida de utilização do tempo com qualidade não pode ser recuperada.

Dicas
  • Organizar os postos de trabalho (sala, mesa, arquivos etc.). Dar outra utilidade (doar, remanejar) ao que não tem mais serventia no seu posto de trabalho e jogar fora tudo o que é imprestável.
  • Melhorar o sistema de arquivamento. Arquivar tudo aquilo que não é de uso constante.
  • Guardar as coisas (materiais, documentos etc.) de uso constante em locais de rápido e fácil acesso.
  • Reorganizar os postos de trabalho ao final de cada dia. Não deixar bagunça para o dia seguinte.
  • Identificar os pontos críticos de desperdício de tempo e buscar superá-los com um melhor planejamento e com mais objetividade.
  • Não abandonar os momentos de lazer e as coisas que gosta de fazer. Eles são fundamentais para preservar sua saúde mental.
  • Utilizar o tempo disponível para a capacitação profissional: ler, estudar, adquirir novas habilidades e informações.

Reuniões Eficazes: 
Saber organizar e conduzir reuniões de trabalho é vital para o dia-a-dia do Conselho Tutelar. É importante fazê-las com planejamento, objetividade e criatividade.

Quando bem organizadas e conduzidas, as reuniões tornam-se poderosos instrumentos de socialização de informações, troca de experiências, decisões compartilhadas, alinhamento conceitual, solução de conflitos e pendências.

Dicas
  • Confirmar primeiro a necessidade da reunião.
  • Definir uma pauta clara, curta e objetiva.
  • Dimensionar o tempo necessário para o equacionamento da pauta. Evitar reuniões com pautas imensas e, consequentemente, longas, às vezes intermináveis.
  • Ter clareza de quem realmente deve participar da reunião. As demais pessoas poderão ser informadas ou ouvidas de outras maneiras. Fazer reuniões e não assembléias.
  • Informar aos participantes da reunião, com antecedência: pauta, horário, local, data, tempo previsto para reunião.
  • Começar a reunião na hora marcada. Não esperar retardatários. Criar disciplina.
  • Controlar o tempo da reunião, das exposições, dos debates. Buscar concisão.
  • Zelar pelo direito de participação de todos. Incentivar a participação dos mais tímidos, sem forçá-los a falar.
  • Evitar conversas paralelas. Combater a dispersão.
  • Fazer, ao final de cada reunião, uma síntese do que foi tratado e decidido. Registrar e socializar os resultados.

Elaboração de Textos: Saber comunicar-se por escrito é fundamental para um conselheiro. É preciso clareza, linguagem correta, objetividade e elegância na elaboração de textos (relatórios, ofícios, petições etc.).

Não é preciso – e está fora de moda – o uso de linguagem rebuscada, cerimoniosa, cheia de voltas. Ser sucinto e ir direto ao assunto são qualidades indispensáveis.

Dicas
  • Ter claro o objetivo e as informações essenciais para elaboração do texto.
  • Fazer um pequeno roteiro para orientar/organizar o trabalho de escrever.
  • Perseguir: clareza, ordem direta das idéias e informações, frases curtas.
  • Não dizer nem mais nem menos do que é preciso.
  • Usar os adjetivos e advérbios necessários. Evitar adjetivação raivosa e, na maioria das vezes, sem valia.
  • Combater sem tréguas o exagero e a desinformação.
  • Reler o texto: cortar palavras repetidas, usar sinônimos ou mudar a frase.
  • Evitar gírias, jargões técnicos, clichês, expressões preconceituosas ou de mau gosto.
  • Se a primeira frase do texto não levar à segunda, ele certamente não será lido com interesse.

Criatividade Institucional e Comunitária: Saber exercitar a imaginação política criadora no sentido de garantir às ações desenvolvidas para o atendimento à criança e ao adolescente não apenas maturidade técnica, mas o máximo possível de legitimidade, representatividade, transparência e aceitabilidade.

Saber empregar de forma criativa os recursos humanos, físicos, técnicos e materiais existentes, buscando qualidade e custos compatíveis .

Dicas
  • Organizar o trabalho: horários, rotinas, tarefas.
  • Trabalhar em equipe.
  • Trabalhar com disciplina e objetividade.
  • Buscar sempre o melhor resultado.
  • Prestar contas dos resultados à comunidade.
  • Buscar soluções alternativas quando as soluções convencionais se mostrarem inviáveis.
  • Incentivar outras pessoas a “pensar junto”, a se envolverem na busca de soluções para uma situação difícil.
  • Fundamentar corretamente as decisões tomadas, para assegurar um bom entendimento por parte de todos os envolvidos.
  • Criar um clima saudável no trabalho. Investir na confiança e na solidariedade.
  • Estudar. Buscar conhecer e trocar experiências.
  • Criatividade é aprendizado. Surge do encontro da percepção de todos. Seja um integrador. Seja atento e antenado com o que vai pelo mundo.

Seminário discute envolvimento de adolescentes em atos infracionais em Brasília

A rede de Comunicação para os Direitos da Criança e do Adolescente - ANDI, em parceria com a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), promovem entre os dias 22 e 24 do mês de maio o Seminário Direitos em Pauta: Imprensa, Agenda Social e Adolescentes em Conflito com a Lei. O objetivo do evento, que ocorrerá em Brasília, é aprofundar o debate acerca dos desafios para o enfrentamento do envolvimento de adolescentes em atos infracionais.
A ministra da SDH, Maria do Rosário, participa da abertura oficial do evento, que ainda não tem local definido.  Também estará presente a secretária nacional de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente da SDH, Carmem Silveira de Oliveira.
Durante o seminário, que conta com a participação da Petrobras e do Instituto Camargo Corrêa, estarão presentes especialistas em Direitos Humanos do Brasil e da América Latina, bem como grandes nomes do jornalismo brasileiro e formuladores de políticas públicas, como: Caco Barcellos; Oscar Vilhena Vieira, Gilberto Dimenstein; Leoberto Brancher; Mauri Konig; Rosa Maria Ortiz; Marcelo Canellas; Eliane Trindade, Conceição Paganelle e Ricardo Noblat.
Na ocasião, serão lançadas duas publicações realizadas em parceria entre a SDH e a ANDI, são elas: o manual "Adolescentes em conflito com a lei: Guia de referência para a cobertura jornalística" e o estudo "Direitos em Pauta: Imprensa, agenda social e adolescentes em conflito com a lei – uma análise da cobertura de 54 jornais brasileiros entre 2006 e 2010”.